Pointlist: vem aí um meteorito sonoro!

Lançaram-se à cultura do trash e do garage rock completamente desbragados. Sem pinga de tédio nem apetrechos, Pointlist, a promotora e produtora eborense, sedimentou-se na filosofia DIY. E há no ar um entusiasmo empolgante e ousadia que contaminam.

Efervescência e rockalhada

Uma história que ainda agora começou e já está a fazer história. Cinco anos de presença em Évora e a motivação para preencher uma falha cultural. “Começamos um bocado por brincadeira. O primeiro concerto, não me recordo o contexto, mas trouxemos os Capitão Fausto e correu bem. Entretanto, organizamos concertos de três em três meses que depois passaram a ser mensais”, explica o João Modas. “Hoje, até a Câmara Municipal já nos vê com outros olhos porque reparou que estamos a mexer-nos mais à vontade”.

Quem é que compõe esta super-crew ? O João Modas é agente e garante que a fervilhação acontece. A Cristina Viana, ilustradora, desenhou o logótipo da Pointlist e faz os cartazes dos eventos que o colectivo produz. O Tiago Alexandrino apoia-a nesse sentido. Depois, o João Canhão é o responsável pelo grafismo da newsletter mensal e, sendo o único membro da equipa que vive em Lisboa, acompanha os concertos organizados na capital. O Carlos Neves, stage manager e técnico de som, garante que todos os pormenores dos eventos estão alinhados. Por fim, o Afonso Cabral trata dos patrocínios do emblemático Black Bass - Évora Fest.

Às tantas, com a familiaridade que lhes está intrinsecamente na genética, começaram a fazer agenciamento. “Só agenciamos bandas que gostamos muito, que achamos que tenham potencial e que a sua música faça sentido para nós. Tem que fazer o clique”, diz o Modas. O Neves sublinha ainda a inexistência da componente comercial na Pointlist, ou seja, “tem de ser uma coisa que gostemos mesmo porque cada um tem o seu emprego e a Pointlist existe pelo amor ao projecto e não ganha dinheiro com o agenciamento das bandas. Não há interesse de negócio, por isso não existem percentagens”.

' O Black Bass mostrou a Évora e ao resto do país que temos capacidade de produzir '

Se há muito que o Alentejo aguardava por um festival de rock’n’roll emergente, ei-lo aí. Sem dissabores, o Black Bass – Évora Fest mostra que é possível curtir com vitalidade fora da época balnear. Por outro lado, é mais um lugar onde a música se encontra com a vontade de fazer mais. Assim, o desfecho só poderia ser um line-up gigante em qualidade e governada por música independente de peso.

“O Black Bass mostrou a Évora e ao resto do país que temos capacidade de produzir”, explica o Modas. “Sabemos que vamos ser pequenos para o resto da vida e, na verdade, não queremos ser maiores. Não somos um festival de marcas, somos um festival de bandas emergentes e não há uma única banda que tenha sido convidada só porque mete mais gente. Só queremos corrigir pequenas coisas e ter a certeza que nos divertimos mais e nos cansamos menos”.

Festival que surpreende e faz estremecer, esta quinta edição – que acontece entre 15 e 17 de Novembro - terá um formato tipo best of de bandas e amigos que passaram pelas edições anteriores. “O próprio festival já tem um público fixo que pergunta e se interessa pelo evento”, diz o Neves. Um sem fim de música desprovida de limites. “Só queremos mesmo que as coisas que fazemos corram bem e que toda a gente se divirta, nós inclusive”, acrescenta.

Vais ouvir falar deste nome

Mostrar que existem efectivamente mais casas para a música para além das que subsistem nos grandes pólos urbanos, é mais do que o evidente. O futuro, a ruptura, apostar no sangue novo do panorama sonoro. Afinal de contas, é disso que se trata. Fixem este nome: Pointlist.

Queres ir ao Black Bass-Évora Fest mas não sabes como? Vê só como é simples: https://goo.gl/v4Cdqt

acompanha a Pointlist: http://pointlist.pt

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por: Teresa Melo
Fotografia: Pointlist
Cartazes: Cristina Viana

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